[home]

Pronunciamento da Diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil frente à Declaração Dominus Iesus - sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja (05/09/2000)


 

    Diante das manifestações e reações públicas e dos questionamentos oriundos das igrejas-membros, a Diretoria do CONIC manifesta o que segue:

1. Sabemos que a Declaração Dominus Iesus é somente um documento da Congregação para a Doutrina da Fé da Igreja Católica Apostólica Romana. Ela, por conseguinte, não goza das prerrogativas de documentos maiores promulgados pelo Papa (como, por exemplo, a Encíclica Ut Unum Sint - sobre o ecumenismo) ou pelo Colégio dos Bispos, juntamente com o Papa (tais como osdocumentos do Concílio Vaticano II).

2. A Declaração tem a intenção de recordar aos bispos, aos teólogos e a todos os fiéis católico-romanos que, cada vez mais, uma mentalidade relativista está se alastrando na sociedade moderna. Diante dela pretendereafirmar o caráter definitivo e completo da revelação de Jesus Cristo em relação às religiões não cristãs. Refere-se, portanto, ao diálogo inter-religioso.

3. Na sua quarta parte, porém, "Dominus Iesus" atinge diretamente o ecumenismo ao tratar do assunto da unicidade e unidade da Igreja (itens 16 e17). Todos os cristãos professam que a Igreja de Jesus Cristo é una e única. É por essa razão que o movimento ecumênico busca superar as históricas divisões no Corpo de Cristo. Mas a afirmação que a Igreja de Jesus Cristo "continua a existir plenamente só na Igreja Católica" (Romana) fere profundamente a autoconsciência eclesial das demais tradições cristãs. Causa estranheza que, após tantos anos de testemunho comum e de reflexão teológica ecumênica, surja um documento que ignora todo esse processo. Não se concebe, que no limiar de um novo milênio, prenhe de ameaças à vida e à dignidade humana, sejam provocadas novas disputas entre as igrejas, disputas essas que enfraquecem a sua presença profética no mundo.

4. Durante quase 20 anos, as igrejas filiadas ao CONIC têm-se colocado sob a ação do Espírito Santo, a serviço e em testemunho da unidade da Igreja, têm refletido sobre questões teológicas relevantes para a unidade e a missão da Igreja no Brasil e desenvolvido linhas comuns de ação na promoção da dignidade da pessoa humana. Têm colocado vigorosos sinais de unidade, como por exemplo, a anual Semana de Oração e a Campanha da Fraternidade 2000 Ecumênica.

5. A Diretoria do CONIC preocupa-se com a situação criada pela Declaração, no ambiente ecumênico, mas reafirma seu compromisso com o mandado de Cristo (Jo 17.21) e convida as igrejas-membros a permanecerem unidas, para que não venham a ser causados prejuízos ao processo do restabelecimento da unidade cristã em que se vêm empenhando com tanto zelo e fidelidade. Da CNBB, em particular, solicita um posicionamento oficial público sobre a continuidade da caminhada comum no Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil.

Pastor Joaquim Beato Presidente Brasília, 11 de setembro de 2000.

 

[topo]  [home]