Semana de Oração

 

No sábado dia 27-05-2006, em compromisso com a "Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos" foi realizada uma celebração ecumênica no CTG "Pedra do Mangá" na cidade de Quevedos-RS, com a presença de membros das comunidades Anglicanas, Católico Romanas e Luteranas da região, dirigida pelo padre Alessandro da Paróquia Romana de Nossa Sra. dos Remédios e pelo Rev. Fábio Vasconcelos, pároco da Paróquia Anglicana São João Batista. Foi uma celebração festiva, cheia de símbolos e envolvida por uma ternura singular e sentimento de unidade em Cristo já vivenciado entre os fiéis quevedenses.

Rev. Fábio Vasconcelos

 

 


 

 

100 anos de consagração do templo da Catedral

Comissão de Obras

Estaremos no dia 11 de novembro deste ano celebrando o centenário de consagração do templo da Catedral do Mediador. Estamos certos de que esta data não pode passar em branco para nossa comunidade e Diocese. Sabemos que nosso templo passa por uma real necessidade de manutenção e reparos tanto internos quanto externos.

Queremos desafiar a comunidade a se comprometer com os reparos mais urgentes do prédio no desejo de recuperarmos ao máximo a sua beleza histórica.

Sabemos que para isso precisamos doar nosso tempo, nosso carinho e nossas contribuições para esta causa.

Estamos propondo a criação de um fundo, chamado "Fundo do Centenário" que será destinado unicamente às obras e administrado por uma Comissão própria. Para isso precisamos que toda a comunidade abraçe a causa.

Estaremos, desde já, dando início a este desafio.

Quem quiser colaborar, procure o Professor Benites.

Comissão de Eventos

Estaremos também montando uma agenda de eventos e sugestões para as comemorações do Centenário do templo da Catedral. Traga sua sugestão ou colaboração. Procure o Alexandre Martins.

 


 

 

 

 

SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS PELO ANO 2006

 

Prezado irmão, querida irmã,

Nesta época da QUARESMA, - um tempo de disciplina, expectativa e reflexão! a Igreja se lança como Diocese inteira em suas diversas comunidades, na conclusão da "CAMPANHA PARA O SUSTENTO PRÓPRIO 2006".

É um tema intimamente ligado à nossa responsabilidade cristã, marca batismal que cada um de nós, na CONFIRMAÇÃO, retomou voluntariamente, num sinal concreto e público de nosso pertencimento à Igreja.

"Responsabilidade Cristã" é o nome que damos à maneira como administramos o que temos recebido de Deus. Não é "o que eu vou dar à Igreja", mas "o que vou fazer com o que Deus me tem dado". Assim sendo, não se trata de DAR, mas de OFER ECER. Oferecer em gratidão a Deus, o que podemos e queremos dar. É nossa oferta mensal (nossa "contribuição regular para o sustento da Igreja"). Expressando o nosso pertencimento e a nossa fé.

O que (nossos dons, talentos, tempo) e quanto (dinheiro) podemos compartir, oferecer?

Que tempo vamos dedicar à Igreja em 2006? Com o que podemos nos comprometer?

Convidamos-te que neste tempo quaresmal coloques num envelope o teu nome, endereço, e a indicação de pelo menos duas decisões para 2006:

(1) Em que vais especialmente te dedicar durante o ano;

(2) O valor de tua oferta mensal para o sustento da Igreja.

Que esta decisão seja uma bênção para você, sua família e nossa comunidade. Com nosso afeto e nossa bênção,

+ Jubal Neves, bispo diocesano

PARA REZAR: "O Senhor é minha luz e minha sal vação; a quem temerei? O senhor é a fortaleza de minha vida; de quem me recearei?" Sl 27:1

 


 

 

 

Quaresma

 

Um Tempo de Preparação para a Páscoa

 

"Nunca é cedo demais ou tarde demais para cuidar do bem estar da alma" – Epicuris

A Quaresma inicia-se com os serviços religiosos da Quarta-feira de Cinzas ao redor do mundo. Padres, capelães e pastores abençoam cristãos gentilmente com cinzas, murmurando silenciosamente: "Lembre-se que você é pó, e ao pó voltarás." A palavra Quaresma provém do vocábulo latino, quadraginta, e do seu adjetivo, quadragésima, que significa quarenta. No tempo dos primeiros cristãos, temos a quadragésima paschae, sendo o período de quarenta dias de preparação para a Páscoa.

Quaresma é um tempo oportuno para rever a nossa caminhada de cristãos e também de aprender a sua origem e suas etapas para melhor celebrar a Páscoa do Salvador.

Nesse tempo destacamos três pilares fundamentais na espiritualidade quaresmal: a oração (relacionamento íntimo com Deus), penitência (mudança de atitude que passa do coração às obras e, por conseguinte, à vida toda do cristão) e conversão (reconciliação verdadeira).

Sentido Bíblico da Quaresma

Esse tempo é muito rico de símbolos, pois lembramos os quarenta anos da peregrinação de Israel pelo deserto na procura da terra. Essa experiência do deserto foi muito importante porque colocou o povo diante da opção entre Jaweh , o Deus de Abraão, e os ídolos. Lembramos ainda os quarenta dias, que Moisés jejuou no monte Sinai (Ex. 34,28), quando houve a manifestação de Deus, e lhe conferiu as tábuas da lei, contendo os dez mandamentos. Recorda-se também o tempo que profeta Elias caminhou em direção do monte Horeb (1Rs 19,8), onde teve a grande experiência com o Senhor.

Geralmente, as comunidades procuram imitar Jesus que jejuou quarenta dias no deserto, depois do seu batismo no Jordão (Mt 4,2 ; Lc 4,1). O deserto, na concepção bíblica, é considerado o lugar da provação, da experiência da solidão e de penitência. É o lugar da conscientização e da reflexão, diante das grandes decisões que marcam etapas na história da salvação.

No início do cristianismo o jejum era seguido à risca. Tomava-se apenas uma refeição no final da tarde. Depois foi acrescentada a abstinência de carne e vinho, e em alguns lugares, a abstinência de laticínios. Esse rigorismo no jejum e penitência vem desde o século IV até o final da Idade Média.

Para nós, e em algumas comunidades hoje, pode parecer sem sentido e ilógico esses costumes e até alguns de nós chegamos à conclusão de que tudo isso não passa de uma "visão errônea" sobre o homem ou alteração do seu "sentido religioso". Será?

Mas, os primeiros cristãos, viam o jejum como meio de equilíbrio e domínio da vida humana e um meio de concentração, meditação e oração. O jejum era também uma forma de alerta pessoal para ajudar os pobres, denunciando o supérfluo na vida pessoal do ser humano e o luxo de muitos que esbanjavam, enquanto muitos passavam fome. Era, e é, acima de tudo uma atitude de humildade que começa de dentro para fora em nosso ser.

O jejum quaresmal estava relacionado à reconciliação dos penitentes e à preparação ao batismo, segundo o apelo de Marcos 1:15, que diz: "Convertei-vos e crede no evangelho".

Tempo de Reflexão Pessoal

Tendo presente que a Quaresma nos apresenta o jejum e a penitência, não devemos usar desses meios como pretexto para viver no clima de consternação, tristeza, desânimo. Esse deve ser o tempo de alegre preparação para a Páscoa. É o momento de abertura e meditação na Palavra de Deus - Logus - e para o caminho de reconciliação com outro, que pede a mudança de mentalidade – Metánoia - (Mc 1:15), a mudança de atitude e a modificação de vida.

O jejum, melhor compreendido, não é apenas a renúncia dos alimentos, mas o equilíbrio sadio diante de tanto bem-estar que a vida moderna, agressivamente consumista, nos oferece.

Uma espiritualidade quaresmal deve ser acompanhada pela vivência da conversão, da mudança radical de mentalidade e de vida, baseada na realidade em que vivemos, procurando detectar o pecado pessoal e social, como causa de exclusão e desvalorização pela vida humana.

Tempo de Preparação para a Páscoa

Agora é a nossa vez irmãos! Já sabemos que a Quaresma é o convite à penitência, à conversão, à oração e à reflexão. Por isso, somos convidados a fazer uma recordação – a atualização da experiência da nossa aliança batismal. Pois o batismo é um sinal daqueles que acreditam na vida, mensagem, morte e ressurreição do Cristo Salvador. Pela Sua vida, Jesus nos trouxe o compromisso com Deus, com nós mesmos e com o próximo.

Nosso desafio nessa quaresma visa superar os aspectos folclóricos da quaresma para recuperar seus aspectos espirituais, dentro dos quarenta dias, para que sejam uma retomada da vida pessoal e uma reflexão da vida de toda comunidade.

Por isso é fundamental a preparação para a Páscoa, pois a Igreja tem consciência histórica e de fé que a Páscoa constitui o valor supremo da vida da humanidade, o centro de convergência da História. Pois a Páscoa do cristão é diária.

Na carta aos Romanos, capítulo 6, Paulo diz que o batismo é perfeita conformação com a morte e ressurreição de Cristo. Assim, a Quaresma e a Páscoa têm por função espiritual o reencontro do batismo com o cristão, que é adesão ao projeto do Cristo Salvador, Jesus o nosso Senhor.

Caminho de Volta

A vida é um caminho a ser percorrido, entre os irmãos e irmãs da estrada na direção de Deus. Somos peregrinos.

Muitas vezes precisamos retomar o caminho, recuperar as forças e caminhar com novo entusiasmo. Esse tempo favorável para essa missão é a Quaresma. O objetivo maior é vivermos e celebrarmos a Páscoa, a passagem cristã, que refaz o projeto de Deus e simboliza a Páscoa eterna dentro e fora de nós.

Um tempo de penitência, oração, conversão nos convida a pensar que a Quaresma é o caminho de volta.

A Quaresma não é um tempo formal, de penitências estipuladas (regras rígidas), de jejuns estéreis (alienação do sentido sadio do jejum). Quaresma é tempo de recuperar valores perdidos do cristianismo para a nossa reconstrução, a construção do Reino de Deus e a transformação dos reinos deste mundo no reino do nosso Senhor Jesus Cristo.

Que nosso Pai celestial, através do Espírito Santo, nos conduza a todos neste tempo de Quaresma.

Rev. Fábio Vasconcelos - Deão da Catedral


 

 

Comemoração dos

40 anos de Ministério Ordenado

No domingo, 8 de janeiro de 2006, foi celebrado ações de graças pelo 40 anos de ministério ordenado do Bispo Jubal Pereira Neves e do Côn. Rev. João V. F. Fortes, onde estiveram presentes na celebração, partilhando um pouco destes 40 anos dedicados à Igreja.


Refletindo a sarça nos olhos...

 

Jubileu de 40 anos de Ministério Ordenado do Bispo Jubal P. Neves

e Rev. Côn. João V. Fernandes Fortes

Rf. Atos 7:20-36

Ex 3:1-4

Segundo o Livro de Atos, capítulo 7, a vida de Moisés pode ser dividida em três segmentos de quarenta anos cada. Ele passou seus primeiros quarenta anos no Egito, sendo cuidado pela mãe e apresentado nas es colas egípcias. Passou seu segundo ciclo de quarenta anos pastoreando ovelhas no deserto, nutrido pela solidão e sendo ensinado por Deus, e seus últimos quarenta anos passou-os no deserto do Sinai com o povo hebreu, alimentado pelas provações, ânimos, desânimos, testes, e conquistas guiadas pelas mãos do próprio Deus.

Observemos sobre de que maneira Dwight L. Moody fez o seguinte comentário a respeito desta notável saga mosaica. Ele ressalta que Moisés passou os primeiros quarenta anos pensando que era "alguém", os segundos quarenta anos pensando que era um "ninguém"! E nos últimos quarenta anos ele os passou descobrindo o que Deus pode fazer com um "ninguém"...

Embora a grande maioria de nós não alcance a idade de cento e vinte anos, seja em nossa vida pessoal, seja em nosso ministério, talvez vivemos ou viveremos estes três estágios através tempo. Ou pensamos que somos "alguém", ou avançamos o bastante para em nossa maturidade aprendermos que não somos "ninguém", ou finalmente descobrimos o que Deus pode fazer com um "ninguém".

A sabedoria egípcia estava ao alcance de Moisés. Mas ele, certamente, também era vulnerável à vontade de Javé com nós.

Qual seria a nossa "sabedoria egípcia" hoje? A lembrança dos bancos escolares? Do incentivo ou não de nossos pais em aprender sobre a vida? As grandes ou poucas oportunidades que tivemos de conhecer e crescer no que nos era oferecido? O nosso seminário teológico? Nossa formação acadêmica? Muitas são as dificuldades e virtudes apreendidas por nós, que estão marcadas em nossa personalidade, cravadas em nosso "eu".

Em nosso ministério e vida, partilhamos ou partilharemos da fase de construção de nosso "eu" ministerial e pessoal, que é o Egito.

Mas será que estamos cientes da nossa vulnerabilidade?

Em seguida, após fugir para o deserto de Mídia, Moisés descobriu que não precisava mais de "currículo", de ‘diplomas’, e sim de Sabedoria.

Como diria Charles H. Spurgeon:

"A Sabedoria consiste no uso correto do conhecimento".

No tempo de Midiã em nossas vidas, chegamos num lugar onde Deus fala em nós e por nós mais fortemente. O termo hebraico para "deserto" é midbaar , originário de dahbaar, que significa "falar". Moises aprendeu a pastorear sendo pastor de ovelhas, aprendeu a amar Zípora, sua esposa, e sua família sendo família; aprendeu a ser paciente, integrando-se, a relacionando-se; amadurecendo.

A verdade é que em Midiã aprende-se a ser apenas o que é: Servo.

Só os servos vêm a "sarça ardente"...

Diante do exercício de nossa vocação aprendemos a ser pastores, família e servos de Deus entre o midbaar e o dahbaar. Entre o deserto e a palavra.

A Palavra (dahbaar) de Deus é celebrada com uma sarça que arde no deserto e não se consome; a Sarça é o dahbaar. (Ex 3:2-3).

Nos quarenta anos que se seguem no Sinai, Moisés descobre que sua liderança era imprescindível a construção de uma nova vida para o povo.

A melhor das três fases, naturalmente, é a fase final. Moisés já havia soprado a vela dos ‘quarenta’ duas vezes em seu bolo e antes que beleza da sarça começasse a se enraizar ele seu coração, ele segue para o cumprimento de seu chamado.

Fiquemos então com beleza que nos salva e nos desafia para a missão! Assim como Moisés, corramos em direção a sarça e digamos: "Eis-me aqui" (hynaeny) ! (Ex 3:3-4).

Dia 09 de janeiro, nossa diocese comemora a beleza dos 40 anos de ordenação de nosso Bispo Diocesano D. Jubal Pereira Neves e do nosso irmão Reverendo Cônego João Fernandes Fortes. Seus caminhos nesses 40 anos de ministério, certamente encontraram o Egito, Midiã e o Sinai separadamente ou ao mesmo tempo... Como servos de Deus que disseram "eis-me aqui", e jamais serão confundidos. Aprenderam o sentido do servir; a amar suas famílias; a cuidar do povo de Deus, da sua gente; a amar a missão em Cristo Jesus.

Neste propósito agradecemos e oramos da Deus pela vida destes homens dedicados e generosos entre nós. Pelo privilégio de estarmos juntos neste tempo louvamos a Deus por suas vidas e ministérios!

Dom Jubal e Reverendo João, que a beleza da sarça ardente continue no reflexo de vossos olhos, nos mostrando a importância de conhecermos o Midbaar e o Dahbaar em nossa caminhada com servos e servas de Javé.

PARABÉNS!!!

                     Dos Clérigos e Leigos de Santa Maria

                     Diocese Sul-Ocidental - IEAB

                      Santa Maria, 06 de janeiro de 2006 AD.

                     Epifania de nosso Senhor Jesus Cristo.


 

 

Mudança de Horário

Queridos, estaremos a partir do Domingo 15 de janeiro iniciando as nossas celebrações às 10h da manhã em virtude da implantação da Escola Bíblica Dominical de Adultos, que tanto necessitamos para nossa orientação e crescimento na graça, e conhecimento de Jesus Cristo (2Pe 3:18).

Esperamos que todos compreendam e desejem esta necessidade em sua vida e busquem sua comunidade aos domingos também para o conhecimento bíblico junto com os irmãos. Esperamos por você!

 

Escola Bíblica Dominical de Adultos

Estaremos iniciando no domingo 15 de janeiro a nossa EBD de adultos das 9h20min às 9h50min, com duas classes de alunos:

Classe de Anglicanismo (Rev. Fábio): Voltada para aqueles que querem e necessitam conhecer mais sua igreja e sua identidade denominacional através da História, Culto, Liturgia e etc.

Estudo 01 – O Cristianismo: da perseguição à Reforma

Classe Bíblica (Sem. Lúcia Fortes): Voltada para o ensino das escrituras, a mensagem central de cada livro e sua aplicação para hoje.

Módulo 01 - Evangelho de João: "o Evangelho da vida eterna".

Deão Fábio Vasconcelos

 


 

Novo Deão eleito

Após eleição na Junta Paroquial da Catedral do Mediador, em dezembro de 2005, e ratificação do Bispo Diocesano Dom Jubal Pereira Neves, em 1° de janeiro de 2006, assumiu a reitoria, da Catedral do Mediador, o rev. Fábio Vasconcelos, que terá um mandato de 2 anos (2006-2007).

Que muitas bênçãos e sabedoria dirijam o novo deão, bem como para sua esposa Valeska e o seu futuro filhinho, Samuel, que está para nascer!

Santa Maria, 02/01/2006

 


 

 

 

 

PALAVRA PASTORAL DO BISPO DIOCESANO

Uma palavra para o clero e povo diocesano neste Natal, e preparação para o novo ano de 2006AD.

 

"O Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade,

e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14).

É corriqueiro demais fazer do Natal uma desculpa para festas, ou então uma sentimentalização exagerada, como se fosse uma novela. É difícil perceber que no primeiro Natal Deus irrompeu em nosso mundo e fez brilhar a luz do seu Ser em nossas vidas.

Essa encarnação mudou a história do mundo, nós sabemos. Aquele nascimento inusitado, ainda que comum. Um menino se nos deu! E o menino pobre de Nazaré foi visitado por pastores simples, por ricos magos que vieram do oriente, a natureza em festa, e a criança aprende a respirar no aconchego dos braços de sua mãe, Maria. Alimenta-se do leite materno, como qualquer um de nós. Uma luz brilha nas trevas, e estas agora jamais prevalecerão.

Pelos relatos do Evangelho, irmãos e irmãs, podemos não só rever tudo isso, mas podemos avançar pelo Caminho que nos é proposto, de Verdade e Vida, onde o Amor não tem limites. A Encarnação, a presença do Senhor em nossas vidas, acontece sempre de novo, quando menos esperamos. É Emanuel, Deus Conosco.

O nosso contexto atual, tanto nacional quanto diocesano, traz uma pergunta: - Porque Deus permite um mundo com tantas enfermidades, naturais, sociais, pessoais, emocionais, e mesmo eclesiais?

Elas apontam para a nossa vulnerabilidade e a condição de transeuntes, passageiros. E o Natal, escreveu nosso Arcebispo de Cantuária, Sua Graça Dom Rowan Williams, em sua mensagem de Natal, nos lembra que esta é a maneira em que Deus responde ao sofrimento. Ele não agita uma varinha mágica, nem desce heroicamente dos céus, como um superman, para ajeitar as coisas. Ele chega à terra como um ser humano que transforma as situações em virtude do seu amor. Jesus se dedica a desempenhar a vontade daquele a quem chama Pai, a fonte divina da sua própria Vida Divina. Por nenhum momento esse derramamento do seu amor estanca, sendo uma vertente perene em sua vida toda. E o mundo muda, além do físico: a morte é vencida e o mundo material revela a glória de Deus. E somos transformados. Coisas novas se nos tornam possíveis: novos níveis de resposta com amor e compromisso em nossos relacionamentos.

A resposta cristã ao problema do sofrimento não é uma teoria, mas uma história de vida e morte: a vida e morte de Jesus. E a fim de que esta resposta seja crida agora, esta história tem que fazer-se visível em nossa história. Devemos dar uma resposta ao problema do sofrimento, das querelas, incompreensões e mágoas através do que somos, fazemos e dizemos. Porque a única coisa que sabemos é que é isso que Deus faz. A fé se renova e se fortalece não pelo falar, mas pelo testemunho em ação. Pela solidariedade ativa e pro ativa. Pela busca perseverante e humilde da reconciliação. Etapa por etapa, nem sempre instantânea, mas construída com muito amor.

Deus não vai resolver os problemas da nossa Igreja Anglicana, escreveu o Arcebispo Williams, mediante um plano ou uma fórmula, mas somente através do milagre de seu amor em Jesus. Se quisermos ser parte da solução, devemos primeiro aderir total e incondicionalmente a esse amor, com todos os seus custos.

Já o Arcebispo Frank Griswold, em sua mensagem de Natal deste ano, nos dá um interessante exemplo:

Quantas vezes escutamos opiniões diferentes a respeito de um mesmo fato? Se trocarmos de canal para assistirmos ao noticiário da noite de um mesmo dia, poderemos verificar certa diversidade nas imagens e nos textos. São maneiras de ver diferentes, com interpretações que podem se chocar, e uma linguagem forte, que radicaliza opiniões diversas. Não só na TV, mas também em nossos encontros humanos isso pode ser facilmente percebido. E fica a pergunta balançando em nossa frente: COM QUEM ESTÁ A VERDADE?!

Ao celebrarmos o Natal, o mistério da Encarnação, temos o texto joanino que diz: "e a Palavra se fez carne e habitou entre nós". A expressão hebraica "dabar" para "palavra" é o meio utilizado para a suprema revelação de Deus. E lembramos que na língua hebraica "dabar" significa tanto "palavra" quanto "evento" ou "acontecimento".

Palavras não são apenas faladas, elas acontecem. No livro do Gênesis Deus "fala a criação" e ela acontece. A primeira criatura de Deus é a luz. No Natal Deus fala o seu Amor na carne da pessoa de Jesus. A palavra divina carrega mais do que informação: carrega o amor de Deus que se oferece como uma energia e um poder ativo. Portanto, meus irmãos e minhas irmãs, palavras podem possuir um valor sacramental e a fala pode ser um ato sagrado.

Mesmo assim, nós vemos e ouvimos ao nosso redor linguagens facilmente utilizadas para inflamar, separar, confundir, difamar, polarizar e, por conseguinte dividir. Essa é uma verdade não apenas em nossa vida nacional, mas em diversas de nossas comunidades paroquiais também, nesta ou naquela circunstância.

Caros irmãos, caríssimas irmãs, não afirmamos que a crítica ou a discordância não são bem-vindas, ou que todas as vozes deveriam ser coincidentes ou harmônicas. Simplesmente afirmamos que as palavras fazem diferença por que palavras fazem diferença para Deus e, portanto, não podem ser meios que conduzam a finalidades que não são sagradas. Palavras não deveriam ser jamais o produto de nossos medos ou hostilidades, inconformidades ou desacordos. E sejamos atentos para ver que palavras bonitas podem encobrir sentimentos e propósitos maléficos. Como escreveu São Paulo, "Satanás é capaz de mascarar-se como um anjo da luz". A linguagem que nós usamos para descrever e nos dirigir aqueles cujas opiniões diferem das nossas poderão alimentar ou destruir a possibilidade da descoberta do Cristo ao nosso redor ou além do nível dos nossos desentendimentos. Portanto, palavras devem ser usadas na plenitude do seu potencial para transportar em si o cuidado amoroso de Deus por toda a sua criação.

Que neste Natal possamos todos re-descobrir que as palavras sempre podem conduzir à vida ou à morte. "Se eu falar a língua de homens e de anjos, mas não tiver amor, serei apenas como o bronze que soa..." (I Co 13). Nosso discurso pode pretender estar cheio de justiça, mas, se não houver amor animando as palavras, ainda que nobres e verdadeiras, terá pouca chance de revelar Cristo.

Que o Santo Espírito nos ensine o que dizer em todas as horas, dissipando a raiva, a mágoa, a calúnia, o descaso, o desrespeito ou a arrogância opressora, enchendo-nos com a misericórdia, o entendimento, e o perdão.

É uma Palavra de muita alegria para todos, neste Natal! Que a Palavra feita carne, Jesus, fale seu amor dentro de cada um de nós, irmãos e irmãs. E que nossas palavras sejam a Sua palavra de reconciliação, que vence toda a divisão e a dissensão, promovendo uma nova e vívida esperança ao nosso mundo.

Santa Maria, 24 de dezembro de 2005AD. É Natal!

+Jubal Neves