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+Jubal Neves Bispo da Diocese Sul-Ocidental
12°
Encontro Diocesano de Mulheres
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ESPIRITUALIDADE ANGLICANA E MISSÃO? A nossa saída de casa, a viagem até aqui, a acolhida por esta gente tão amável e alegre, o ambiente preparado com tanto carinho, a celebração litúrgica de abertura, as razões que nos trouxeram apesar da crise de dinheiro e de tempo, presença de tantas mulheres pela simples alegria de estar juntas e falar até pelos cotovelos, sorrisos, abraços, enfim, tudo nos fala de um encontro com Deus ou de relacionamento com Deus, e isso que diz respeito à nossa espiritualidade. Vamos rezar a Coleta pela Pureza (LOC p. 54). (...) Dirigimo-nos a Deus Pai, suplicando que pela inspiração do Espírito Santo possamos amá-lo e glorificá-lo, tudo isso mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. A base do nosso ser é a SS. Trindade. O Arcebispo de Cantuária, na década de 60 (D. Michael Ramsey), foi questionado por um jornalista a respeito do que nós, como anglicanos, defendemos e cremos, respondeu: - “Vem e reza (adora) conosco!” Na verdade, nós cremos o que rezamos e rezamos o que cremos (lex orandi, lex credendi). Quem são vocês? Quem somos nós? A nossa identidade é o que nós somos e o que nós somos chamados a fazer (Is 29.13, Mt 15.8-9, Mc 7.6-7, Tg 1.17- 18, 22-27). Como cristãos é importante que conheçamos bem nossa identidade. E nossas ações falam mais alto que nossas palavras! (I Ts 1). Não basta ser uma pessoa mística ou religiosa em geral. Pois que uma religiosidade indefinida é religiosidade nenhuma. A experiência religiosa resolvida é aquela que dá nomes, percebe os significados dos símbolos e gestos que utiliza - (como escreveu Gadamer, “o símbolo manifesta a presença de algo que está realmente presente”!) - e sabe em que e em quem acredita. Isso não pode e deve ser difícil para um cristão. Em tempo de confusão, - (como nos diz o teólogo franciscano Luiz Carlos Susin - Família Cristã 10/98), - é necessário voltar à clareza das afirmações básicas que estão na raiz da experiência cristã: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9). O rosto de Deus, seus sentimentos e modo de agir estão tão transparentes em Jesus e se tornam tão familiares e cotidianos ao humano que podem até escandalizar (Os nazarenos tiveram dificuldade em aceitar que Deus se manifestasse no filho de uma vizinha que toda a aldeia conhecia; os judeus de Jerusalém desconfiaram de um profeta com sotaque interiorano da Galiléia; os gregos de Atenas, de Corinto e de Colossos, descendentes do helenismo filosófico, achavam loucura que Deus (a divindade) pudesse ser tocado na carne humana, que fosse cheio de compaixão e assumisse a mortalidade. Pelo Espírito Santo, reconhecemos Deus Pai e Mãe (Deus não tem sexo!) em Jesus Cristo que é Nosso Senhor, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14.6). Esta jornada espiritual é muito simples e pode ser chocante também para nós, - a experiência de Deus (Jo 3.16) que se revela na face humana, onde a Palavra de Deus é critério, mas necessariamente envolve nossa experiência pessoal de Deus (e não individual, pois que envolve outras pessoas!), que é a nossa mística, a espiritualidade cristã. Como escreveu alguém, só faz sentido para mim o que for sentido por mim. E isso não é nada egocêntrico ou narcisista, mas profundamente solidário, fraterno e amoroso. O andar da espiritualidade tem o seu ponto de partida - disse Gustavo Gutierrez - “no encontro com o Senhor”. Todas as ciências perguntam pelo “como?” de um acontecimento, ficando desta forma no imanente. A pergunta teológica é pelo “quem?”. É uma pergunta pela transcendência, onde o ser humana pergunta pelo outro, por seus limites. Pergunta pelo outro ser, seu direito, sua necessidade, sua autoridade. É a pergunta do amor para com o próximo. A espiritualidade cristã (cf. Dietrich Bonhoeffer) tem seu ponto de partida na preocupação pelo outro que se expressa nesta pergunta existencial que procura não dominar/oprimir o outro, mas escutar, receber, aceitar. Estar pronto a dar a vida pelo outro. Responsabilidade pessoal a partir do encontro com Cristo, nas suas pisadas! Aqui o sentido da comunidade! Como disse um poeta, “eu não me realizo na solidão, nem na multidão!” (Em Bonhoeffer, a espiritualidade cristã aparece como uma unidade entre a vida interior - tradicionalmente chamada de espiritualidade - e a ação política). Espiritualidade e não espiritualismo. Em artigo na revista Família Cristã de março/98, o teólogo João Batista Libânio sublinha a verdade de que Espiritualismo nos fala do dualismo, da divisão, da separação; por sua vez, a espiritualidade fala da unidade, integração, do indivisível, do inseparável. São duas grandes linhas da espiritualidade, onde a bíblica é preferencialmente uma espiritualidade envolvendo a unidade de corpo e alma). A espiritualidade cristã (e bíblica) envolve igualmente nossa corporalidade e nossa alma. O ponto fundamental da espiritualidade é a presença do Espírito Santo (que opera a síntese). O espiritualismo carrega em seu bojo uma prática de pedidos: se não rezamos, Deus não nos oferece suas graças! A espiritualidade cristã nos fala de ação de graças, intercessão, louvor, confissão, e petição. Nesta compreensão se insere a nossa liturgia, onde a oração contínua não significa uma espera passiva, mas uma busca ativa de justiça (ora et labora). Penitência, louvor, perseverança, acolhida, atenção, ação de graças, alegria. missão e participação são palavras-chave. Mas também é sobretudo chave o sentido da nossa liturgia, para não ser apenas rito! (A ação conjunta do Povo de Deus para celebrar a ação de graças em Jesus Cristo, pelo Espírito Santo). A liturgia começa com nossa caminhada para a igreja, quando deixamos os nossos lares para a reunião! Trazemos nossas ações de graça como resposta à graça de Deus. Somos uma oferenda. O que fazemos é oferenda! A liturgia diz e representa como viemos a existir, e para que existimos como igreja. E a liturgia continua, de forma contínua e inseparável, após o “Ide na paz de Cristo, sede...”(o envio), a missão, a outra liturgia. Tudo como parte da nossa espiritualidade, que para ser cristã tem que possuir em seu bojo a “Missio Dei.”. Missão do ponto de vista anglicano “As Cinco Marcas da Missão”: A missão da igreja é o trabalho de Cristo, a saber: proclamar as boas-novas do reino de Deus; ensinar, batizar e nutrir os novo fiéis; responder às necessidades humanas através de um serviço de amor; buscar transformar as estruturas injustas da sociedade; lutar para salvaguardar a integridade da criação, sustentando e renovando a vida da terra.
Estas cinco marcas dão aos anglicanos uma definição amplamente aceita de missão
que tem nos ajudado a manter uma compreensão integral (holística) da missão
nesta Década da Evangelização. Mas o Reverendo Michael McCoy, da
Igtreja Anglicana da África do Sul, e meu companheiro de “Comissão Anglicana
para a Missão” (Missio), nos faz alguns comentários sobre estas marcas,
pilares, ou “balões”, em artigo publicado no início deste ano (“Inter-Mission”): 2.
Missão contextualizada 3.
Missão como celebração 4.
Missão como igreja 5.
Missão como Deus em ação 6.
Missão: não método, mas o significado
Além das Cinco Marcas ·
testemunha entre todos o amor de Cristo que perdoa, salva e reconcilia;
Nesta forma as Cinco Marcas pelo menos ficam mais próximas da
diversidade de possibilidade de formas da missão e se aproximam do próprio
ministério de Jesus. Entretanto, minha preferência é partir numa direção
diferente. Permitam que ofereça duas definições que ilustram a maneira que
penso a Comunhão Anglicana deveria andar para expressar sua visão da missão
em nossos dias. A primeira vem do livro de David Bosch, Transforming Mission (1991):
Nesta curta declaração encontramos unidos os três fundamentos básicos de uma teologia da missão, a saber, evangelho, igreja e contexto. É um bom ponto de partida. Os contextos são diversos, mas em todos eles o amor de Deus é para ser encarnado. A beleza desta definição está no estabelecimento do caracter e natureza da missão sem detalhar as maneiras possíveis disso virar prática. Pelo contrário, oferece às igrejas locais a liberdade de discernir e formatar a missão em seu próprio contexto, trabalhando as questões de método, recursos, tempo, etc dentro de uma estrutura missiológica pré-estabelecida. Isso poderia ser bastante importante para nós, anglicanos, quando queremos falar da missão. Antes de buscar o provimento de uma definição exaustiva de tudo o que podemos fazer, sugiro que nossas energias sejam colocadas na procura por uma consenso a respeito de três pontos:
Missão em unidade
Missão em comunidade
Missão na diversidade
Ir em paz? E, como bispo diocesano, espero que todos nós, irmãos e irmãs pela diocese afora, esta família que enfrenta tantas dificuldades financeiras mas ao mesmo tempo tão cheia de afeto, concordemos que podemos seguir a caminhada juntos na missão divina de levar a paz uns aos outros, a partir de uma espiritualidade muito profunda, o coração da nossa adoração, do nosso ministério e da nossa missão. |