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Oração do Desarmamento

Senhor, Vós sois o Deus da paz e do perdão;
Sois meu Pai, cheio de misericórdia,
Sois o Deus da vida e do amor.

Estou entregando minha arma.
Com ela, também estou desarmando meu coração.
Ajudai-me a ser construtor da paz!


Senhor,
Fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver duvida, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que vive para a vida eterna.

“Felizes os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9)

Dom Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário Geral da CNBB

 

 

 

 

 

Dom Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário-geral da CNBB

Artigo: Desarmar as mãos e o coração - Dom Odilo P. Scherer
quinta: 19 de maio de 2005

 

O Governo Federal está promovendo a Campanha do desarmamento para estimular a entrega voluntária de armas, mesmo regularmente registradas, mediante compensação financeira. Com isso, pretende o Governo diminuir os índices de violência e de assassinatos, que está muito elevado no Brasil.

O Ministério da Justiça, promotor da Campanha, está convidando também as Igrejas a aderirem à iniciativa. De fato, muitas pessoas não se sentem muito à vontade para levar as armas à Delegacia, mas o fariam mais facilmente na Igreja. As experiências até agora feitas mostram que o resultado está sendo bom e os postos de recolhimento de armas junto às igrejas estão registrando adesões até superiores às de outros postos.

Na verdade muitas vezes as armas estão relacionadas com histórias trágicas, ou representam um pesadelo para quem as guarda em casa, com o constante risco de acabar sendo usada num momento infeliz, quando se perde a cabeça... Ou então, teme-se que ela possa acabar na mão de um ladrão na hora de um assalto ou arrombamento.

Além disso, há estatísticas para mostrar que os crimes cometidos nos espaços domésticos e no âmbito das relações familiares é muito alto. Outro estudo mostrou também que as possibilidades de acabar vítima de arma de fogo, na hora de um assalto, são bem mais altas para quem possui uma arma na mão, para se defender. A posse de uma arma gera uma sensação segurança falsa. Além disso, ela predispõe à violência quem a possui.

A entrega da arma perto de uma Igreja é também ocasião para um ato religioso, quase uma confissão, um momento de liberação interior, e para a manifestação do propósito, diante de Deus, da renúncia à violência. Na hora de entregar a arma, há pessoas que sentem a vontade de chorar, de de desabafar, de rezar, de falar com alguém para um conforto espiritual.

A presidência da CNBB, depois de ter ouvido a palavra encorajadora do Conselho Permanente, escreveu uma carta a todos os bispos católicos do Brasil convidando-os a apoiarem a iniciativa do Ministério da Justiça, favorecendo a abertura de postos para entrega de armas em espaços ligados às Igrejas. É só isso que se pede: apoio moral da Igreja e a disponibilização de espaços para servirem como postos de arrecadação de armas. Não há que colocar a mãe em armas, nem se assume a responsabilidade de guardá-las. Tudo isso é competência da Polícia Federal, com a qual deve ser feito o contato para tratar, concretamente desta parceria.

Esta Campanha poderá ser incentivada no período do Advento e do Natal, quando se recorda, mais do que nunca, que Jesus Cristo veio para trazer a paz “aos homens de boa vontade”. Por outro lado, a Campanha da Fraternidade do próximo ano será um convite para sermos todos “promotores da paz”, porque assim convém aos “filhos de Deus”. A promoção de uma verdadeira cultura da paz, mediante a superação de todas as formas de violência, é da responsabilidade de todos. E é muito condizente com o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo.

 

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